'A Terra é um bote salva-vidas', afirma astronauta da Artemis II em primeira declaração após pouso
Astronautas da Artemis II falam após retorno à Terra
Os astronautas da missão Artemis II deram neste sábado (11) as primeiras declarações depois de retornarem da viagem histórica ao redor da Lua. Com o pouso considerado perfeito da nave Orion no Oceano PacÃfico, a agência espacial americana agora já pensa nas missões futuras.
Foi com um auditório inteiro aplaudindo em pé que os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christine Koch e Jeremy Hansen foram recebidos na sede da Nasa, em Houston. Foi a primeira aparição deles desde a volta da missão Artemis II, nesta sexta (10).
O diretor da Nasa lembrou que eles quebraram o recorde de seres humanos que foram até o ponto mais distante da Terra na história. E missões como essa vêm com risco, que os astronautas aceitaram em nome do coletivo.
Depois, o comandante da missão, Reid Wiseman, riu: "Eu não tenho ideia do que dizer. 24 horas atrás, a Terra estava desse tamanhinho na janela, e agora estamos de volta à nossa casa."
Para os companheiros, disse: "Estamos ligados para sempre. Ninguém aqui embaixo vai saber o que passamos. Foi a coisa mais especial da minha vida."
O piloto Victor Glover agradeceu à s famÃlias e disse que a gratidão pelo que passou é grande demais para um corpo só.
Christine Koch, astronauta na missão, contou que ela só sentiu o fim da missão quando passou pelo exame médico da volta, depois do pouso, e a enfermeira perguntou: "Posso te dar um abraço?".
Christine disse que aprendeu lá em cima o significado de tripulação: é um grupo que está disposto a se sacrificar uns pelos outros, que demonstra benevolência e que exige responsabilidade mútua. Uma tripulação compartilha as mesmas preocupações e as mesmas necessidades. Se mantém de modo bonito e inabalável unida pelo senso de dever.
Pensou nisso quando viu a Terra cercada por toda a escuridão do espaço. "A Terra é um bote salva-vidas pairando no universo." E concluiu: "Foi isso que aprendi: Terra, nós somos uma tripulação."
Por último, Jeremy Hansen, astronauta canadense, abriu com uma piada: "Esse é o mais longe que eu estive do Reid em um bom tempo". Não seja por isso. O capitão então se aproximou dele, provocando risadas.
Ele falou sobre a importância de a Nasa, a Agência Espacial Canadense e tantos departamentos se juntarem para tornar essa missão real. E disse que aprendeu sobre amor. "O que vocês viram foi um grupo de pessoas que amam contribuir e tiram alegria disso. Eu sugiro que, quando olharem para cima, vocês não vejam só nós, mas um espelho refletindo vocês."
Foi a celebração de uma missão que entra para os livros de História e que teve o último capÃtulo na noite de sexta.
Pouco antes das 21h, pelo horário de BrasÃlia, a nave Orion se separou do módulo de serviço. Era hora de voltar à Terra, que ficava cada vez maior e mais nÃtida na janela. No contato com a atmosfera, a Orion virou uma bola de fogo, chegando a quase 3.000°C e a uma velocidade de 40.000 km/h.
A comunicação foi perdida com o centro da Nasa na Terra. Foram seis minutos de tensão, até que as equipes de resgate na costa de San Diego enxergaram o pontinho cruzando o céu. A nave estava inteira, no caminho planejado para o Oceano PacÃfico, na costa da Califórnia. Onze paraquedas abriram em sequência e amorteceram o pouso.
Um desfecho que a Nasa resumiu em uma palavra: perfeito. As equipes de resgate se aproximaram com botes e helicópteros. E quando a porta enfim se abriu, a transmissão da Nasa se encheu de aplausos. Os astronautas foram içados por um helicóptero e levados a um porta-aviões, onde passaram por exames. Nas fotos, eles eram só sorrisos.
Mais tarde, o diretor de voo da Artemis disse que a equipe estava saudável e que tudo deu cirurgicamente certo. O pouso foi a cerca de um quilômetro do alvo inicial. O gerente do programa Orion afirmou que a missão é histórica pelo que representa para o futuro das missões e completou: "Temos muito mais a fazer".
Já em 2027 tem Artemis III. A missão vai ficar na órbita da Terra e vai testar outros módulos de pouso — que depois serão usados também na Lua. A Artemis IV vem com grande expectativa. Prevista para o inÃcio de 2028, é a missão em que se espera mandar astronautas de volta à Lua, com o primeiro pouso na superfÃcie desde 1972.
E ainda tem a Artemis V, no fim de 2028. Os astronautas vão voltar à Lua para missões mais complexas, como construir uma base lunar. A ideia é que os astronautas possam viver e trabalhar lá e, assim, explorar ainda mais a Lua e também o espaço mais profundo. O plano da Nasa é que, na próxima década, consiga enviar astronautas para Marte.
Além dos avanços para a exploração espacial, a Artemis II também deixa um legado de novas tecnologias que nós devemos usar no dia a dia. Uma dessas tecnologias é a que permitiu mostrar fotos e vÃdeos da nave em alta qualidade e em tempo real.
Tudo isso graças ao sistema de comunicação ótico, que a Nasa desenvolve há mais de duas décadas. Com ele, os dados foram enviados à sede da Nasa em Houston em uma velocidade muito mais rápida do que as ondas de rádio usadas até agora. O novo sistema vai permitir uma troca de dados cada vez mais eficiente entre as equipes na Terra e no espaço, e pode revolucionar a infraestrutura da internet no planeta Terra.
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