Cliente do AP tem dados expostos em novo golpe do Desenrola: ‘é muito real, tem o selo do gov’
16/09/2026
(Foto: Reprodução) Amapaense cai no novo golpe do Desenrola
Louriete Malcher/Reprodução
Golpistas estão usando descontos atrativos, facilidades de pagamento e páginas falsas para aplicar o novo golpe do Desenrola. No Amapá, a enfermeira Louriete Malcher, de 25 anos, teve os dados expostos e chegou a fazer um PIX de quase R$ 70 acreditando que estava quitando uma dívida.
A oferta chegou por e-mail, imitando o aplicativo do Governo Federal. A mensagem prometia quitar a dívida e aumentar o score da cliente. Apesar de atrativa, parecia boa demais para ser verdade.
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Louriete contou que chegou a desconfiar, mas ao ver selos que imitavam os do aplicativo do Governo Federal, acreditou na proposta.
“Pensei: ‘Está ótimo esse valor, será que é verdade?’. Era muito real, tinha o selo do gov. A mensagem chegou por e-mail, com meus dados e informações do Governo Federal. Não imaginei que fosse golpe”, disse.
Os golpistas ofereceram um “super acordo”, com redução de juros de até 99%. Para fechar, bastava uma transferência via PIX.
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A jovem disse que só percebeu que tinha caído em um golpe quando a dívida não foi retirada. Além disso, os golpistas afirmavam que ela tinha mais débitos do que realmente constava em seu CPF.
“Eu também achei estranho porque na mensagem diziam que eu tinha cinco dívidas pendentes, mas na verdade só tenho duas. Eu estava tão afoita que só percebi isso depois", disse.
🔍o score é uma pontuação de crédito que vai de 0 a 1.000. Ele mostra para bancos e empresas a chance de uma pessoa pagar suas contas em dia. Quanto maior o score, menor o risco de inadimplência e maiores as chances de conseguir crédito com melhores condições.
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Entenda como funciona o golpe
Os criminosos prometem descontos de até 99% para quitar dívidas, retirar o nome de cadastros de inadimplentes e aumentar o score de crédito. Para concluir a suposta renegociação, porém, a vítima é induzida a pagar uma taxa por PIX.
A fraude chama atenção pelo nível de personalização empregado para conferir aparência de legitimidade às páginas.
Os sites reproduzem elementos visuais de páginas oficiais do governo e exibem imagens de autoridades e de integrantes ligados ao programa de renegociação de dívidas.
Ao acessar uma das páginas falsas, a vítima é direcionada para um chat em que aparecem dados pessoais, como nome completo, CPF e data de nascimento. A exibição dessas informações dá a impressão de que o site tem acesso a uma base oficial.
Na sequência, a página apresenta uma suposta análise da situação financeira do usuário, com informações sobre score de crédito e valores de dívidas.
O atendimento continua em um chat integrado ao site, no qual uma suposta atendente envia mensagens, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa individualizada.
Depois, a vítima recebe uma proposta de renegociação com desconto de até 99% sobre o valor da dívida. Os criminosos afirmam ainda que o procedimento permitiria retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e elevar o score de crédito.
Para finalizar o suposto acordo, no entanto, é cobrada uma taxa por PIX. O pagamento é apresentado como uma etapa necessária para concluir a negociação, mas não resulta em qualquer renegociação real da dívida.
“Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros”, explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, empresa especializada.
Segundo ele, a apresentação de informações corretas não comprova que um site seja legítimo.
A orientação é verificar o endereço eletrônico antes de fornecer dados ou realizar pagamentos e desconfiar de ofertas que prometam benefícios extraordinários ou exijam cobranças inesperadas.
Como evitar o golpe
Confira o endereço do site: antes de fornecer informações pessoais ou realizar qualquer pagamento, verifique se o endereço pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira envolvida.
Desconfie de cobranças antecipadas: não faça pagamentos por Pix para liberar descontos, concluir uma renegociação ou obter algum benefício do programa.
Procure os canais oficiais: em caso de dúvida, acesse diretamente os sites do governo ou do banco credor, em vez de clicar em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais.
Não confie apenas na exibição de dados pessoais: informações como nome, CPF, data de nascimento ou score podem ser obtidas por criminosos e não comprovam que a página seja oficial.
Denuncie a fraude: sites falsos e contas utilizadas para receber os pagamentos podem ser denunciados às autoridades e às instituições financeiras envolvidas.
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