Comissão aponta avanço de 70% em plano para combater trabalho escravo em MT
15/06/2026
(Foto: Reprodução) O plano foi lançado em 2024 prevendo cumprimento de metas até 2030.
SESP
A Comissão Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Escravo (Coetrae), ligada à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), informou que cerca de 70% das ações previstas no 3º Plano Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo em Mato Grosso já foram concluídas ou estão em execução, dois anos e meio após o lançamento da iniciativa.
Instituído em 2024, o plano reúne 151 metas distribuídas em cinco áreas estratégicas: assistência às vítimas, prevenção, repressão, gestão e produção de conhecimento, além de governança. O cronograma prevê a execução das ações até 2030.
De acordo com o monitoramento realizado pela comissão, a maior parte dos objetivos avançou dentro do prazo estabelecido. As metas ainda pendentes dependem de fatores externos, como a implementação de políticas públicas e decisões de diferentes esferas governamentais e sociais.
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Entre os resultados apresentados, a Coetrae destacou que 627 trabalhadores foram retirados de situações análogas à escravidão em Mato Grosso apenas em 2025. Após as operações de fiscalização, os resgatados receberam atendimento por meio da rede de apoio especializada.
Na área de capacitação, 150 policiais civis passaram por treinamento baseado na metodologia “Escravo, Nem Pensar!”, voltada ao aperfeiçoamento das investigações e do acolhimento às vítimas.
As ações preventivas também alcançaram toda a rede estadual de ensino. Professores de escolas estaduais dos 142 municípios mato-grossenses receberam formação na mesma metodologia, tornando-se multiplicadores de informações sobre o tema dentro das comunidades escolares.
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Em parceria com a Coetrae, o Projeto Ação Integrada (PAI) qualificou 370 profissionais das áreas de assistência social e saúde, entre psicólogos e assistentes sociais, para atuação no atendimento às vítimas. O treinamento abordou os protocolos de acolhimento e encaminhamento previstos na política pública de combate ao trabalho escravo.
Outra iniciativa levou capacitação a 60 lideranças da região do Araguaia, incluindo representantes indígenas, quilombolas, retireiros e defensores dos direitos humanos, que passaram a atuar na disseminação de informações sobre prevenção e combate a esse tipo de crime.
Segundo a presidente da Coetrae, Márcia Ourives, os avanços são resultado da atuação conjunta das 24 instituições que integram a comissão, além do apoio e da autonomia garantidos pelo Governo de Mato Grosso e pela Sesp.
No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública aderiu à Carta de Compromisso de Repactuação das Políticas Nacionais de Combate ao Trabalho Escravo, reforçando o compromisso com o fortalecimento das ações de prevenção e repressão em todo o estado.
A Sesp destaca que Mato Grosso é o único estado brasileiro a possuir uma comissão estadual de enfrentamento ao trabalho escravo inserida diretamente na estrutura organizacional da secretaria. Criada em 2007, a Coetrae é considerada referência nacional na área.