Desmatamento no Amazonas cai 30,1% no primeiro trimestre de 2026, aponta Inpe
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Desmatamento no Amazonas cai 30,1% no primeiro trimestre de 2026, aponta Inpe.
Divulgação/Ipaam
O desmatamento no Amazonas registrou queda de 30,1% entre janeiro e março de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. As informações são do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).
De acordo com o levantamento, foram desmatados 3.190 hectares no primeiro trimestre deste ano, contra 4.567 hectares no mesmo período de 2025.
Apesar da redução na área desmatada, o número de alertas aumentou 12,4%, passando de 141 para 159 registros. Segundo órgãos ambientais, o crescimento pode estar relacionado à intensificação do monitoramento em regiões sob maior pressão.
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Os dados são acompanhados diariamente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas.
Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o resultado reflete maior precisão nas ações de fiscalização.
“A redução observada neste período mostra que estamos conseguindo atuar de forma mais precisa, com base em dados e acompanhamento constante. Isso permite respostas mais rápidas e aumenta a efetividade das ações desenvolvidas em campo”, afirmou.
Ainda conforme o gestor, a estratégia é manter o monitoramento contínuo, especialmente nos períodos mais críticos do ano, para consolidar a tendência de queda.
O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, atribuiu o resultado a uma política integrada do Governo do Amazonas, que combina fiscalização com incentivo a atividades sustentáveis.
“Esse resultado é fruto de uma política integrada, que une o combate ao desmatamento ao incentivo à bioeconomia e ao desenvolvimento sustentável, com investimentos estratégicos nessas duas frentes”, disse.
Entre as iniciativas citadas está o Programa Floresta em Pé, que prevê mais de R$ 70 milhões para ações de proteção ambiental, fiscalização e geração de renda sustentável.
Municípios mais afetados
Entre os municípios com maior área desmatada no período, Novo Aripuanã lidera com 338 hectares, seguido por Lábrea (315 hectares) e Humaitá (288 hectares).
Em relação aos alertas, Lábrea teve o maior número de registros (11), seguida por Boca do Acre (10) e Guajará (7).
No mesmo período de 2025, Apuí concentrava os maiores índices, com 1.222 hectares desmatados e 20 alertas.
Considerando o calendário do desmatamento na Amazônia, que vai de agosto a julho, o estado também apresentou redução acumulada. Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área desmatada caiu 35,5%, passando de 30.057 hectares para 19.366 hectares.
Fiscalização integrada
A queda nos índices ocorre em paralelo ao reforço das ações de fiscalização ambiental no estado, realizadas de forma integrada por órgãos públicos e forças de segurança.
Entre as principais iniciativas está a Operação Tamoiotatá 6, que reúne monitoramento, inteligência e ações em campo, como vistorias em áreas com alertas, aplicação de multas e embargos.
A operação é realizada ao longo de 15 etapas durante o ano, com foco no período de estiagem, considerado o mais crítico para o avanço do desmatamento e das queimadas.
Outra frente é a Operação Região Metropolitana, coordenada pelo Ipaam, com apoio da Polícia Militar do Amazonas. As ações ocorrem em ramais e rodovias da Região Metropolitana de Manaus e têm como objetivo coibir crimes ambientais e ampliar a presença do Estado em áreas de maior pressão.
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