Doce, música e turismo: por que Tatuí ganhou o título de Estância Turística

  • 11/08/2026
(Foto: Reprodução)
Tatuí completa 200 anos como Estância Turística; entenda o que muda para a cidade Ao longo de dois séculos, Tatuí (SP) construiu uma história marcada pela música e pelos doces, características que ajudaram a tornar o município conhecido dentro e fora da região. No fim do ano passado, a cidade ganhou mais um reconhecimento: passou a integrar o grupo das Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo. Nesta terça-feira (11), Tatuí completa 200 anos de fundação com uma programação diversificada. Mas, afinal, o que fez o município conquistar esse reconhecimento e o que muda na prática para moradores e visitantes? 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Praça Martinho Guedes, no Centro de Tatuí (SP), tem piano desenhado Prefeitura de Tatuí/Divulgação A conquista não foi baseada apenas nos atrativos turísticos. Para receber o título, Tatuí precisou atender a uma série de critérios técnicos previstos na legislação estadual, que analisam desde a infraestrutura urbana até a gestão do turismo. Segundo a prefeitura, em 2021, o município ficou na 21ª posição entre 140 cidades no ranqueamento estadual e permaneceu como Município de Interesse Turístico (MIT). Quatro anos depois, subiu para a quinta colocação geral entre os 214 municípios classificados e foi o primeiro colocado entre os MITs promovidos à categoria de Estância Turística. O Sítio do Carroção, único resort pedagógico do Brasil, é um dos atrativos da Estância Turística de Tatuí (SP) Prefeitura de Tatuí/Divulgação Entre os critérios avaliados estão a existência de fluxo permanente de visitantes, oferta de hospedagem e alimentação, infraestrutura viária, saneamento básico, serviços de saúde, segurança, comunicação e sinalização turística. Também são considerados a atuação do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), a existência do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico e uma equipe técnica responsável pelo setor. Ao g1, o secretário adjunto de Cultura e Turismo, Rogério Vianna, afirmou que a classificação é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos anos por técnicos, conselhos municipais e diferentes secretarias. "O ranqueamento envolve educação, saúde, desenvolvimento e vários outros aspectos. Não é um trabalho que começou agora. O Conselho de Turismo e os turismólogos vêm construindo isso há bastante tempo", afirmou. Initial plugin text LEIA TAMBÉM Tatuí realmente completará 200 anos? 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O modo de fazer. E quem faz o modo de fazer? São as pessoas. Nós temos uma coisa que é riquíssima", disse. Entre as iniciativas citadas pelo município está o Prêmio Literário Nacional Paulo Setúbal, que neste ano recebeu inscrições de 375 municípios brasileiros, além de ações voltadas à produção artística e à preservação da memória local. Rogéio Vianna, secretário adjunto de Cultura e Turismo de Tatuí (SP) Larissa Pandori/g1 Como crescer sem perder a identidade? Mas transformar tradição em atração turística também traz um desafio: crescer sem descaracterizar aquilo que tornou a cidade conhecida. Há 71 anos morando em Tatuí, o professor e empresário Joaquim Machado Neto, conhecido como Joca, acompanhou de perto as transformações da cidade. Para ele, o município cresceu, modernizou sua infraestrutura e ganhou novos espaços públicos, mas também perdeu parte da proximidade entre os moradores. "A cidade era menor e a comunidade era mais próxima. Hoje ela está muito expandida e existe uma dificuldade maior de as pessoas se confraternizarem. Por outro lado, também existe a aceitação de que esse progresso é importante e que a gente consiga mudar para melhor", analisa. Professor e empresário Joaquim Machado Neto, nascido e criado em Tatuí (SP) Larissa Pandori/g1 Joca lembra, por exemplo, da transformação da Praça da Matriz, onde hoje funciona um calçadão que recebe apresentações musicais gratuitas aos sábados. "Ficou um passeio muito interessante. A população tem acesso gratuitamente a shows de muita qualidade. Acho que isso também é um ponto bastante forte da cidade", diz. Quem caminha pela Praça da Matriz pode se deparar com o monumento em homenagem a Bimbo Azevedo, cujo nome verdadeiro era Octávio de Azevedo. Instalada em 2009 e de autoria do escultor Cláudio Camargo, a obra retrata o célebre músico e compositor tatuiano em frente ao local onde ele nasceu, viveu e faleceu. Atualmente, o imóvel que abrigou a casa de Bimbo Azevedo foi transformado em uma escola de inglês, que pertence a Joca. Initial plugin text Para o professor, a música continua sendo uma das principais marcas de Tatuí e ajuda a explicar por que o município é reconhecido fora da região. "Qualquer lugar que a gente visita, as pessoas falam: 'Lá tem o conservatório, lá o pessoal é musical'. A história da cidade é muito recheada nessa questão musical." Fundado em 11 de agosto de 1954, o Conservatório de Música e Teatro de Tatuí é uma das mais respeitadas escolas de música e artes cênicas da América Latina Conservatório de Tatuí/Divulgação O que muda com o título A principal mudança prática para Tatuí está no acesso a recursos estaduais destinados aos municípios classificados como Estâncias Turísticas. O dinheiro pode ser utilizado em obras e projetos relacionados ao turismo, como revitalização de espaços públicos, sinalização, acessibilidade, qualificação de equipamentos turísticos e preservação do patrimônio. Enquanto era MIT, o município recebia cerca de R$ 600 mil por meio do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur). Com a mudança para Estância Turística e a nova legislação estadual, o repasse para as estâncias passou a ser de R$ 2,5 milhões neste ano. Initial plugin text Conforme o secretário, parte dos recursos deve ser destinada à revitalização do Mercado Municipal "Nilzo Vanni", considerado um dos equipamentos turísticos da cidade. Também estão em andamento intervenções no Museu Paulo Setúbal e a estruturação de um complexo de memória formado pelo Museu da Imagem e do Som, Memorial do Rugby e outros espaços culturais. O aumento dos recursos, porém, também vem acompanhado de responsabilidades. Entre elas está a necessidade de conciliar novos investimentos e crescimento urbano com a preservação do patrimônio histórico e cultural. Segundo Vianna, a prefeitura trabalha na elaboração de um plano de patrimônio histórico para orientar a conservação dos imóveis e discutir possíveis mudanças com a população. "Quando a gente perde essas tradições, a gente perde alguma identidade. A gente precisa buscar esse resgate", afirmou. Initial plugin text Para o secretário adjunto, o desafio é modernizar a cidade sem apagar características construídas ao longo dos 200 anos de história. "Pode vir a modernidade? Tem que vir. Mas como manter essa história viva? É esse diálogo que tem que ser feito com a cidade." Para o morador, a preservação dessa identidade também passa pela relação das novas gerações com a cultura. Mesmo diante das transformações tecnológicas e do avanço da inteligência artificial, ele acredita que a música e outras manifestações artísticas continuam tendo espaço. "Sempre tem um lugar para o talento, para quem tem vontade de desenvolver esse contato cultural. O Conservatório está aí como uma grande prova de que a gente pode continuar", analisa. Na avaliação do morador, preservar essa identidade passa também pelo incentivo à música desde a infância. "Sempre fui favorável ao retorno do ensino musical nas escolas. A criança, desde pequena, interagindo com a música, se torna um cidadão mais sensível e mais criativo. O dom está no indivíduo, não na máquina." Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/08/11/doce-musica-e-turismo-por-que-tatui-ganhou-o-titulo-de-estancia-turistica.ghtml


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