Idoso morto por bala perdida dentro do próprio bar na Tijuca será enterrado neste domingo
25/07/2026
(Foto: Reprodução) Idoso vítima de bala perdida na Tijuca, durante confronto entre criminosos, morre no Hospital do Andaraí
O corpo de João José da Silva, de 80 anos, será velado e enterrado neste domingo (26) no Cemitério do Catumbi, na Região Central do Rio. O comerciante morreu no sábado (25), um dia depois de ser atingido por uma bala perdida durante um tiroteio entre criminosos na comunidade Chácara do Céu, na Tijuca, Zona Norte da cidade.
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Conhecido como Zé Badu, João José era dono de um bar na comunidade e foi baleado dentro do estabelecimento durante o confronto. Ele chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Federal do Andaraí, mas não resistiu aos ferimentos.
Na manhã deste sábado (25), familiares estiveram no Instituto Médico-Legal (IML) para liberar o corpo. João José deixa quatro filhos, 11 netos e amigos que lamentam a morte.
João José da Silva, conhecido como Badu, foi atingido por uma bala perdida na Chácara do Céu
Reprodução
Família relata terror
Segundo a nora do comerciante, Núbia Alves, a neta da vítima precisou atravessar o tiroteio para socorrer o avô.
"A neta dele saiu correndo, desesperada. Pulou janela para socorrer ele. Ele estava caído, mas ainda estava vivo. Levou ele para o hospital, mas infelizmente ele não resistiu."
Núbia contou ainda que os disparos começaram por volta do meio-dia e se intensificaram durante a tarde.
"Foi aquele tiroteio intenso. Ia e voltava. Mas, por volta das 15h, foi aquela coisa horrível. Parecia uma guerra", disse Núbia.
Segundo ela, a família não conseguiu sair imediatamente para prestar socorro porque o confronto continuava.
"Meu vizinho viu na hora que meu sogro caiu dentro do bar e tentou avisar meu esposo. Ele ligou, mas não tinha como a gente sair de imediato porque era muito tiro", completou.
Moradores da Chácara do Céu e de comunidades vizinhas afirmam que os confrontos têm se tornado mais frequentes nas últimas semanas. Eles atribuem a violência à disputa por território entre criminosos de facções rivais.
Uma estudante que mora na região disse que os disparos passaram a fazer parte da rotina.
"Quase toda noite a gente escuta. Tem muito tiro aqui na redondeza. Já ouvimos tiro de fuzil, de pistola e até de granada", comentou Núbia.
Núbia Alves, nora de seu Badu, e a neta, no IML para a liberação do corpo do idoso
Reprodução/TV Globo
Outro morador afirmou que os disparos também costumam ocorrer durante a madrugada.
"Até quando a gente está em casa escuta os disparos. Passa da meia-noite, uma hora da manhã, e passa um monte de moto para lá e para cá."
A Delegacia de Homicídios da Capital investiga as circunstâncias da morte de João José da Silva.
Em nota, a Polícia Militar informou que tem intensificado o policiamento ostensivo na região com equipes a pé, viaturas e motopatrulhas, de acordo com a movimentação da mancha criminal. A corporação afirmou ainda que as operações são planejadas com base em critérios técnicos, estratégicos e de inteligência e que ocorrências com mortes são rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes.