Israel anuncia que vai negociar acordo de paz diretamente com governo libanês
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Israel anuncia que vai negociar acordo com o Líbano
No segundo dia de cessar-fogo com o Irã, Israel voltou a atacar alvos do grupo Hezbollah no Líbano. Ao mesmo tempo, sob pressão americana, anunciou que vai negociar um acordo de paz diretamente com o governo libanês.
O dia começou com uma trégua frágil. Mesmo depois do ataque ao Líbano de quarta-feira (8) - o mais violento da guerra, em que morreram mais de 300 pessoas -, os mísseis israelenses continuaram atingindo os libaneses, dia e noite. O ministro da Defesa de Israel disse que mais de 200 integrantes do Hezbollah foram eliminados em um único dia e que o grupo está enfraquecido. O Hezbollah respondeu com foguetes lançados a um kibutz perto da fronteira.
Desta vez, uma espécie de ultimato veio do Irã, que fechou de novo o Estreito de Ormuz caso Israel não parasse com os ataques ao Líbano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que os ataques de Israel são uma violação do cessar-fogo e podem comprometer as negociações.
O anúncio não demorou muitas horas. Israel aceitou ir para a mesa de negociação com o Líbano. O primeiro encontro será na próxima semana, em Washington. Em um pronunciamento, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou ter dois objetivos: desarmar o Hezbollah e fechar um acordo de paz histórico e duradouro com o Líbano.
Israel anuncia que vai negociar acordo de paz diretamente com governo libanês
Jornal Nacional/ Reprodução
Foram muitos os apelos para que o cessar-fogo inclua o Líbano. Ministros de Relações Exteriores de países do Mediterrâneo, reunidos na Croácia, disseram que a violência no Oriente Médio precisa parar agora.
Em Teerã, um comunicado do líder supremo foi lido na TV estatal. Mojtaba Khamenei não aparece em público desde o início da guerra. Na mensagem, ele diz que o Irã irá buscar retribuição contra os ataques e jurou vingar a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei. Sem dar detalhes, o novo líder disse também que o controle do Estreito de Ormuz irá entrar em uma nova fase. Mais cedo, o governo iraniano afirmou que a passagem está aberta, mas sob controle, e que os navios devem se comunicar com o Exército iraniano.
Na Europa, os índices econômicos preocupam os governos. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, defendeu como prioridade restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e normalizar a situação nos mercados de energia e de produtos essenciais.
No início da noite desta quinta-feira (9), Donald Trump escreveu na rede social dele:
“Há relatos de que o Irã está cobrando pedágio de navios que passam pelo Estreito de Ormuz. É melhor que não esteja e, se estiver, é melhor que pare agora”.
Na noite desta quinta-feira (9), Donald Trump fez uma nova postagem. O presidente americano acusou o Irã de não estar cumprindo o acordo de permitir a passagem de navios com petróleo pelo Estreito de Ormuz.
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