Justiça Federal autoriza entrada no Brasil de casal palestino retido no aeroporto em Guarulhos após concessão de habeas corpus

  • 23/04/2026
(Foto: Reprodução)
Casal palestino de Gaza está retido há 6 dias em Aeroporto Internacional de SP após pedir refúgio Arquivo Pessoal A Justiça Federal de Guarulhos concedeu na noite desta quarta-feira (22) liminar em habeas corpus para determinar a entrada imediata no Brasil da família palestina que estava retida no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, desde o dia 16 de abril. De acordo com o advogado Willian Fernandes, responsável pelo caso, Hani M. M. Alghoul e a esposa Eitemad M.A. Alqassass Suhayla, além do filho de 1 ano e meio, já tinham pedido refúgio no Brasil e vstavam com istos válidos de turismo. Porém, a entrada não foi permitida sem justificativa oficial. Na ação, a defesa alegou constrangimento ilegal, destacando a situação de vulnerabilidade, incluindo a mulher estar grávida com problemas de saúde e uma criança pequena, além do contexto de guerra na região de origem. Na decisão, o juiz considerou que o impedimento de entrada foi ilegal por falta de fundamentação adequada, já que a autoridade não apresentou motivos concretos para a restrição. O magistrado também ressaltou a proteção a direitos fundamentais, como dignidade humana, saúde, proteção à criança e à gestante, além das garantias previstas na Lei de Migração. Com isso, foi reconhecida a urgência do caso, e a Justiça determinou que a Polícia Federal autorize a entrada da família no país imediatamente, proibindo qualquer medida de deportação ou repatriação até nova decisão. Defensoria Pública também pediu entrada de casal No pedido de habeas corpus, a Defensoria Pública da União também solicitou autorização para atuar no caso e reforçou o pedido de urgência para que a família seja liberada para entrar no país ou, ao menos, deixasse a área restrita do aeroporto enquanto a situação é analisada pela Justiça. Segundo a Defensoria, a Polícia Federal informou que a entrada foi barrada por uma restrição prevista em portaria do Ministério da Justiça, mas não apresentou os fundamentos da decisão. O único documento encaminhado indica a existência do impedimento, sem detalhar os motivos, a origem da informação ou eventual enquadramento legal. “A Polícia Federal limitou-se a remeter o resultado da consulta sistêmica, sem enfrentar, em momento algum, o pedido expresso desta Defensoria quanto aos fundamentos materiais da restrição”, afirmou o órgão no documento. A DPU apontou ainda que a anotação da restrição foi registrada na mesma data da chegada da família ao Brasil, o que, segundo o órgão, sugeria inserção sem análise prévia adequada. O órgão também levantou a hipótese de que a informação possa ter origem em dados de autoridade estrangeira, sem validação pelas instâncias competentes no Brasil. No habeas corpus, a DPU pediu, em caráter liminar, a autorização para entrada imediata da família no território nacional, com salvo-conduto até a decisão final sobre o pedido de refúgio. Leia também Depoimento à polícia menciona que ganês morto após passar mal em aeroporto avisou sobre dores e não recebeu ajuda imediata Brasil muda regras de acolhimento de imigrantes sem visto de entrada que pedem refúgio Justiça Federal nega habeas corpus para 104 imigrantes retidos no aeroporto à espera de refúgio; MPF pede que nova regra de acolhimento seja anulada O órgão também pediu que a Polícia Federal apresentasse, em até 48 horas, os fundamentos completos da restrição de entrada, incluindo a origem da informação e o suporte documental. Em nota, o Itamaraty informou que sobre a decisão de impedir a entrada dos palestinos é apenas com a PF. O g1 entrou em contato com a Polícia Federal e GRU Airport, mas não obteve retorno de nenhum deles até a publicação da reportagem. 'Muita falha' No caso dessa família, segundo Faysa Daoud, presidente da ONG Refúgio Brasil, o trajeto começou com a saída de Gaza rumo ao Egito. “No Egito, eles foram à embaixada brasileira e conseguiram visto de turismo, porque não tem visto humanitário para o pessoal de Gaza, palestinos não têm”, afirma. Ela diz que a entidade chegou a pressionar o governo brasileiro para a criação desse tipo de visto, mas sem sucesso. A alternativa, então, foi usar o visto de turismo. “Quando a família chegou aqui no Brasil com visto de turismo, ela foi barrada. Inclusive, estava na fila, foi tirada e interrogada. Perguntaram várias coisas, onde eles estavam no 7 de outubro, onde trabalhavam”, relata. Segundo ela, o homem trabalha nos Emirados Árabes Unidos e havia ido visitar a família em Gaza quando o conflito se intensificou. “Ficou preso lá e só na semana passada conseguiu sair para o Egito, onde pediu o visto e veio.” Ao desembarcar no Brasil, a orientação foi solicitar refúgio. “A gente orientou, com a Federação Árabe Palestina e com advogado, a pedir refúgio, porque eles têm esse direito”, diz. O pedido, no entanto, ainda não foi analisado. “O pedido está feito, ninguém julgou ainda.” Faysa descreveu uma série de dificuldades enfrentadas. “Ele está com a esposa e um filho de um ano e meio. A esposa está grávida de quatro meses, com anemia, foi socorrida para o hospital, precisa de transfusão. O filho também está passando mal, porque o leite mudou, está com o intestino incomodado.” Para Faysa, o caso evidencia falhas no acolhimento. “Eu acredito muito que está acontecendo muita falha. O Brasil é um país que tem tratado, desde depois da Segunda Guerra Mundial, e recebe muito bem refugiados, mas isso não está acontecendo agora, principalmente com os palestinos.” Segundo Paulo Illes, coordenador do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Migrante, entidades da sociedade civil têm manifestado preocupação com a recorrência de casos semelhantes no Aeroporto de Guarulhos. “Temos acompanhado com preocupação o aumento dessas situações. Casos como este, inclusive, já foram reportados ao Relator Especial sobre os Direitos Humanos dos Migrantes da ONU, que esteve recentemente em São Paulo”, afirma Illes. Brasil muda regras de acolhimento de imigrantes sem visto de entrada que pedem refúgio Veja momento em que imigrante de Gana é atendido no Aeroporto de SP dias antes de morrer

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/23/justica-federal-autoriza-entrada-no-brasil-de-casal-palestino-retido-no-aeroporto-em-guarulhos-apos-concessao-de-habeas-corpus.ghtml


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