Lula diz estar confiante de que vencerá eleição porque 'brasileiros não podem levar um miliciano para o Palácio do Planalto'
24/10/2026
(Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (24), véspera do segundo turno da eleição presidencial, que está "confiante" com a chance de uma vitória nas urnas, porque "os brasileiros não podem levar um miliciano para o Palácio do Planalto".
O petista comentou a disputa presidencial ao dar uma declaração à imprensa no Rio de Janeiro, onde realizou um ato com apoiadores no bairro de Copacabana, na zona sul da capital fluminense.
"Os brasileiros não podem levar um miliciano para dentro do Palácio do Planalto. Não é possível que a gente não consiga convencer a sociedade do risco que a democracia, a liberdade e as pessoas de bem correm. Eu tenho certeza que nós vamos ganhar as eleições. Pode anotar, amanhã [domingo], eu serei eleito presidente da República outra vez", declarou.
🔎As suspeitas de elo entre Flávio e milicianos surgiram na época que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro e contratou em seu gabinete na Alerj parentes do miliciano Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do "Escritório do Crime". Além disso, quando era deputado estadual, Flávio concedeu honrarias a policiais suspeitos de envolvimento com milícias.
🔎🔎O candidato do PL nega ligação com milicianos e diz que as condecorações dadas valorizavam policiais até então considerados "fichas-limpas".
Rio e BH têm manifestações pró-Lula e pró-Flávio
Nessa mesma fala a jornalistas neste sábado, Lula disse que é "verdade" que o povo brasileiro quer mudança, mas que a alteração deve ser para "melhor" e não para "retroceder".
"Não está longe da nossa memória o que aconteceu no mandato dessa gente [gestão Bolsonaro] no país, na área da cultura, do trabalho, da educação, da saúde, da política externa. Nós levamos três anos para reconstruir o país e apresentar agora uma proposta concreta para o futuro", acrescentou Lula.
O petista também prometeu concluir obras inacabadas no Rio de Janeiro e citou investimentos federais na Baixada Fluminense.
'Brigar para tomar ilha de Willer e Flávio', diz Lula
O candidato do PT à reeleição voltou a comentar a polêmica sobre uma ilha em Angra dos Reis (RJ). Lula afirmou que vai "brigar para tomar a ilha de Willer Tomaz e de Flávio Bolsonaro".
O petista fez referência a uma disputa envolvendo o jogador Richarlison Andrade e um imóvel no litoral do Rio de Janeiro. Ele já havia citado o caso no debate desta sexta-feira (23), realizado pela TV Globo.
A disputa começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre a mansão e em despesas relacionadas ao imóvel, por meio de uma empresa da qual é sócio.
Segundo o jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse no imóvel, mas ele se recusou a vendê-lo. O atacante acusa o senador de ter se aliado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, para retirar dele os direitos que reivindica sobre a área.
"Roubaram do pombo [apelido do jogador Richarlison], de um jogador da Seleção Brasileira. Nós vamos trabalhar para tentar devolver o terreno a seu verdadeiro dono", afirmou Lula neste sábado.
Caso Ana Clara
Já durante a caminhada com apoiadores em Copacabana, Lula, que realizou o percurso na caçamba de uma pick-up, comentou outro momento do debate da TV Globo. Desta vez, o presidente fez referência ao trecho em que Flávio Bolsonaro falou sobre o caso Ana Clara.
Ana Clara foi morta a tiros em fevereiro de 2021, quando tinha apenas 5 anos, em uma comunidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O suspeito do disparo é o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delarolli, que se tornou réu por homicídio doloso.
A Justiça determinou que o policial fosse levado ao Tribunal do Júri. Em 2024, Flávio Bolsonaro, que é advogado, integrou a equipe de defesa de Delarolli e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão.
A campanha de Lula tem citou esse caso em propagandas eleitorais e o petista tem feito referências ao episódio e à atuação de Flávio em pronunciamentos e debates.
Neste sábado, ao tratar do tema, o presidente da República afirmou:
"Vocês viram o cinismo dele [Flávio] ao falar da morte da menina Ana Clara? Viram a desfaçatez?", questionou Lula aos apoiadores.
No debate deste domingo, indagado por Lula, Flávio disse se solidarizar com familiares da menina assassinada, mas se confundiu e chamou a mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva, de Ana Clara. O equívoco do candidato do PL tem sido explorado pela campanha de Lula.
Outros temas
Em outro momento do ato deste sábado, Lula afirmou que Flávio, se eleito, privatizará o SUS e vai desfazer o fim da escala 6x1, o que o presidenciável do PL tem negado.
O petista também disse que enquanto ele beija a bandeira do Brasil, Flávio beija a bandeira dos Estados Unidos. E, ao comentar o "Exército do Lula", canal de mensagens no WhatsApp, disse que os seus "soldados" são da paz, a arma deles é a "urna" e a bala é o "13".
Lula também pediu aos presentes ao ato que convençam pessoas a sair de casa e votar neste domingo.
Lula acena e dá a mão aos apoiadores na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro
Reprodução/ GloboNews