Ministro da Fazenda afirma que não há crise geral no varejo e diz que vai apertar o arcabouço fiscal para controlar os gastos públicos
22/08/2026
(Foto: Reprodução) Ministro da Fazenda nega crise no setor do varejo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (21), em entrevista para a GloboNews, ajustes no arcabouço fiscal e no rítmico de crescimento das despesas. Ele negou que haja uma crise no setor do varejo.
O comércio varejista eliminou quase 46 mil vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026. E, de abril a junho deste ano, o setor registrou aumento de 20% no número de pedidos de recuperação judicial - foram 986 no total. Um dos casos mais recentes é o das Casas Bahia. No pedido de recuperação judicial, as empresas solicitam autorização da Justiça para renegociar dívidas, reestruturar a operação, sem deixar de funcionar.
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Em entrevista ao GloboNews Mais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que os juros elevados pressionam o varejo, setor muito dependente da oferta de crédito, e que não há crise na economia brasileira.
“Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade que é muito dependente de crédito. De outra forma, é também a finalidade da própria política monetária contracionista que esse efeito seja gerado. Então, há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há. Nós não estamos falando de crise. É bem importante a gente colocar isso".
Ministro da Fazenda afirma que não há crise geral no varejo e diz que vai apertar o arcabouço fiscal para controlar os gastos públicos
Jornal Nacional/ Reprodução
A taxa Selic está em 14% ao ano. Ela serve de referência para os juros dos empréstimos. A situação das finanças do governo é um dos principais fatores que o Comitê de Política Monetária do Banco Central leva em conta para definir a taxa Selic. A redução dos juros elevados depende diretamente do equilíbrio das contas públicas. No primeiro semestre de 2026, o déficit do governo passou de R$ 92 bilhões.
O ministro da Fazenda defendeu ajustes no arcabouço fiscal que garantam efetivamente a contenção do ritmo de crescimento das despesas.
“A gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal, que é o trabalho do ministro da Fazenda, colaborar com a política monetária, fazendo o seu papel do lado da política fiscal. Nós vamos ter que diminuir o gasto obrigatório, melhorar a eficiência dos programas sociais e seguir recompondo receita dentro de uma discussão de justiça. Então, o que nós precisamos sinalizar é a manutenção de uma regra fiscal que garante necessariamente que a despesa pública vá crescer menos do que a receita para que a gente vire a página da década anterior, em que a gente teve mais despesa no país do que receita e com total descaso para a base fiscal do país”, diz Dario Durigan.
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