No gelo e ao som de frevo, bloco leva tradição do carnaval de Pernambuco ao Canadá
16/02/2026
(Foto: Reprodução) Galo na Neve leva o carnaval de Pernambuco ao Canadá
Se no Recife o Sábado de Zé Pereira é dia do Galo da Madrugada, no Canadá o Galo na Neve reúne a saudade do carnaval pernambucano e o desejo de manter viva a tradição, mesmo com temperaturas abaixo de zero. O desfile, que começou como uma brincadeira entre um casal de amigos, virou tradição e chegou ao nono ano na cidade de Shawinigan, localizada entre Quebec e Montreal.
A cena, gravada num frio de -7 graus, viralizou nas redes sociais e chamou atenção porque, mesmo com neve, casacos e luvas, dezenas de pessoas se reuniram com sombrinhas de frevo e bandeiras do Brasil e de Pernambuco, cantando hinos de blocos e frevos tradicionais (veja vídeo acima).
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Uma das organizadoras do bloco, a recifense Fabiana Marques afirma que faz questão de manter o desfile no mesmo dia do Galo da Madrugada.
“Isso é uma coisa de que eu não abro mão. A vontade de fazer esse evento surgiu porque ficávamos quase chorando assistindo ao Galo. Para a gente, que sempre brincou o carnaval, mexia muito essa saudade, essa falta de estar lá, de sentir o calor humano. Então decidimos fazer no mesmo dia para ter o nosso”, contou.
Neste ano, o bloco reuniu cerca de 600 pessoas em uma festa que durou aproximadamente 10 horas. A programação começa em um salão de eventos e, depois, ganha as ruas da cidade. A maioria do público é formada por brasileiros.
“Eu diria que 90% são brasileiros, mas há canadenses também. Eles acham interessante, ficam impressionados com a alegria, com a euforia. Gostam bastante”, afirmou.
O influenciador Wallace Nattan, que acompanhou o cortejo com o grupo, contou que nem o frio desanimou os foliões.
"Tinha muita gente bem agasalhada, mas eu no caso estava com meu shortinho e a minha regata, e pulando muito durante o trajeto porque é muito frio, mas com o calor humano deu pra gente curtir o desfile tranquilo", disse.
Bloco leva tradição do carnaval de Pernambuco ao Canadá
Reprodução/Instagram
Bloco na rua
Fabiana, que passou a integrar a organização do Galo na Neve no segundo ano do desfile, em 2015, explica que o crescimento foi gradual até o bloco ocupar as ruas.
“No primeiro ano, surgiu na brincadeira. Quatro pessoas se vestiram com roupas de verão, chinelo, fizeram um estandarte improvisado com cartolina e saíram na rua. No segundo ano, quando participei com esse casal de amigos, Mariano e Mariana, já éramos umas 20 pessoas. Fizemos uma festinha com feijoada, música e foi o dia todo de celebração. E aí foi crescendo”, relembrou.
Com o aumento do público, foi preciso profissionalizar a iniciativa e criar uma empresa para organizar o evento. Atualmente, Fabiana, o marido, Mauro Marques, e o amigo Gustavo Valença são os responsáveis por manter o bloco e garantir que o desfile aconteça todos os anos.
“Aqui temos muita dificuldade porque tudo é muito caro. Para desfilar na rua, precisamos de várias autorizações: da prefeitura e, dependendo do público, da polícia. Também é obrigatório ter seguro para o salão e externo para o desfile, o que é caríssimo, porque alguém pode escorregar no gelo ou acontecer algum acidente. São muitos desafios, mas o coração pernambucano continua. A gente é madeira de lei que cupim não rói”, disse.
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