Orçamento 2027: governo prevê aumento do salário mínimo para R$ 1.741 no próximo ano

  • 31/08/2026
(Foto: Reprodução)
Orçamento 2027: governo prevê aumento do salário mínimo para R$ 1.741 no próximo ano A proposta do governo para o Orçamento de 2026 prevê um salário mínimo de R$ 1.741 no próximo ano – R$ 120 a mais que os atuais R$ 1.621. O valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) que o governo envia ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). O valor final ainda deve ser atualizado até o fim do ano. Se confirmado, o reajuste será aplicado a partir de janeiro – ou seja, no salário que o trabalhador recebe em fevereiro. Os R$ 120 a mais representam uma alta de 7,4% em relação ao patamar atual. A nova estimativa também ficou acima do que foi projetado em abril deste ano. Naquele momento, a previsão era de R$ 1.717 para o salário mínimo. Valor pode mudar até dezembro O valor definitivo, porém, será conhecido somente em dezembro deste ano — quando será divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro (que serve de base para a correção). Isso porque foi instituída por lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma fórmula de valorização real do salário mínimo – ou seja, de aumento do valor acima da inflação. Pelo formato adotado, o reajuste corresponde à soma de dois índices: a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro – como prevê a Constituição; o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso de 2027, vale o PIB de 2025 – que cresceu 2,3%. No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a correção do salário mínimo se dava apenas pela inflação do ano anterior, sem aumento real. No início do terceiro mandato do governo Lula, o salário mínimo passou a ser corrigido pela soma da inflação do ano anterior com a variação do PIB de dois anos antes, modelo do governo petista de Dilma Rousseff (PT). Em 2024, porém, o governo propôs, e o Congresso aprovou, uma limitação do aumento real, acima da inflação, a um teto 2,5%, o mesmo do arcabouço fiscal para as demais despesas. A medida tem como objetivo adequar o crescimento do piso salarial do país aos limites definidos pelo novo arcabouço fiscal. O teto valerá até 2030. Carteira de trabalho Jorge Júnior/Rede Amazônica Referência para 61,9 milhões de pessoas De acordo com informações divulgadas em maio pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no Brasil. "O salário mínimo tem enorme alcance social, servindo de referência direta para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada. Ao elevar o piso nacional, a política contribuiu para a redução das desigualdades salariais, inclusive entre homens e mulheres, negros e não negros e entre diferentes regiões do país", disse o Dieese, em dezembro de 2025. Por seu elevado impacto na Previdência e assistência social, analistas observam que a política de aumento real do salário mínimo, acima da inflação, nos últimos anos, contribui para o aumento das contas públicas. Segundo eles, isso gera um impacto no endividamento público, que já é o maior em cinco anos, e pressiona a taxa básica de juros da economia, a Selic – atualmente em 14% ao ano – o que diminui o crescimento sustentado da economia. A recomendação de alguns analistas é de que o governo volte a adotar o formato anterior, do governo Bolsonaro, sem alta acima da inflação, ou seja, "desindexe" a correção do salário mínimo do PIB, o que significa um aumento menor do salário mínimo. Somente a limitação do aumento real do salário mínimo a 2,5%, proposta da equipe econômica do governo Lula no fim de 2024, por exemplo, gerou uma redução de gastos com pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais de R$ 110 bilhões entre 2025 e 2030. Estudo do consultor de Orçamento da Câmara, Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal do governo federal, estima uma redução de gastos acima de R$ 1 trilhão em dez anos com a correção do salário mínimo apenas pela inflação do ano anterior. 90 anos de história Instituído em janeiro de 1936 no governo Getúlio Vargas por meio da lei 185, o salário mínimo completou 90 anos de existência no começo deste ano. "Embora definido em 1936 com base nas necessidades alimentares do trabalhador e da trabalhadora, logo se percebeu que a legislação precisava especificar que o salário mínimo deveria ser aplicado a homens e a mulheres, e mais tarde que deveria considerar as necessidades das famílias trabalhadoras. Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora", avaliou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em publicação do Dieese sobre o tema. O próprio Dieese calcula que o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho, ou 4,7 vezes o mínimo atual de R$ 1.621. 🔎O cálculo leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/31/orcamento-2027-governo-preve-aumento-do-salario-minimo-para-r-1741-no-proximo-ano.ghtml


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