'Priscila voltou e foi morta': cidade no interior de SP espalha faixas com alertas contra violência doméstica
11/08/2026
(Foto: Reprodução) Faixas espalhadas por Teodoro Sampaio (SP) alertam sobre ciclo de violência contra a mulher
Camila Camargo/Reprodução
“Priscila, eu te amo. Volta pra mim, prometo que vou mudar”. A frase, estendida em uma faixa em frente à Prefeitura de Teodoro Sampaio (SP), retrata o início do ciclo de ilusão que antecede tragédias reais no interior paulista.
Na mesma faixa, o desfecho doloroso alerta quem passa pela rua: “Priscila voltou. Ele não mudou. Ela foi morta com 12 facadas na frente dos filhos”. A campanha impactante integra as ações do Agosto Lilás em um momento de escalada nos indicadores de feminicídio no estado.
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Um levantamento feito pelo g1, com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), revela que 142 mulheres foram vítimas de feminicídio no primeiro semestre de 2026. O interior concentra a maior fatia da violência: foram 97 mortes registradas entre janeiro e junho (68,3% do total). O indicador representa uma alta de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o interior somou 71 casos.
Violência contra mulher: como pedir ajuda
Idealizada pela Diretoria de Políticas Públicas para Mulheres em conjunto com o Desenvolvimento Social de Teodoro Sampaio, a instalação das faixas visa desmistificar pedidos de desculpas repetitivos de agressores, característicos da fase de "arrependimento" do ciclo de violência doméstica.
Cinco faixas com mensagens foram fixadas em pontos estratégicos da cidade de 22 mil habitantes. A iniciativa nasceu da vivência da assistente social Meiryelle Freitas de Lima, que acompanhou a luta da própria irmã para se libertar de um relacionamento abusivo marcado por falsas promessas de mudança.
“Acompanhei de perto o quanto foi difícil para a minha irmã sair daquele ciclo por causa das promessas de mudança do agressor. Quando a sociedade diz 'ela vai voltar' ou 'é sempre assim', esquece que existe uma mulher precisando de apoio. As faixas mostram que o comportamento carinhoso do agressor é só uma fase do ciclo”, destaca a assistente social Meiryelle de Lima.
Faixas espalhadas por Teodoro Sampaio (SP) alertam sobre ciclo de violência contra a mulher
Camila Camargo/Reprodução
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Aumento nos casos de violência
As 97 mortes registradas entre janeiro e junho deste ano mostram uma alta de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o interior somou 71 casos.
Nos primeiros seis meses de 2026, foram registrados 20,7 mil casos de lesão corporal dolosa, quando há intenção de machucar a vítima, no interior de São Paulo. Em todo o estado, foram 36,9 mil ocorrências.
No mesmo período, os registros de ameaça chegaram a 33,2 mil casos no interior e 54,8 mil em todo o estado. Já os casos de descumprimento de medida protetiva de urgência somaram 9,6 mil ocorrências no interior e 13,3 mil no estado.
Entre outras formas de violência contra a mulher, Teodoro Sampaio registrou 15 casos de estupro entre janeiro e junho deste ano, sendo 12 de estupro de vulnerável.
Na região de Presidente Prudente, foram registrados quase 200 casos de estupro no mesmo período. Em Teodoro Sampaio, durante todo o ano de 2025, foram 20 ocorrências, das quais 14 foram classificadas como estupro de vulnerável.
Faixas espalhadas por Teodoro Sampaio (SP) alertam sobre ciclo de violência contra a mulher
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Lei Maria da Penha completa 20 anos
Criada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha nº 11.340 completou duas décadas e é um marco para o enfrentamento da violência contra a mulher. Ela recebeu esse nome em homenagem à farmacêutica e bioquímica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, cuja trajetória se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil.
Maria da Penha sobreviveu a duas tentativas de homicídio cometidas por seu então marido. A primeira, em 1983, ocorreu quando ele atirou em suas costas enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Semanas depois, ele tentou eletrocutá-la durante o banho.
Quais são os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha?
A legislação brasileira descreve seis formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, que podem ocorrer de maneira isolada ou simultânea, conforme o governo de São Paulo. Confira abaixo:
Violência física: qualquer conduta que cause lesão ou coloque em risco a integridade física da mulher, como empurrões, tapas, socos, queimaduras, estrangulamento ou uso de armas.
Violência psicológica: inclui ameaças, humilhações, isolamento, perseguição, vigilância constante, controle da rotina, manipulação e outras práticas que provoquem sofrimento emocional ou prejudiquem a autoestima e a liberdade da mulher.
Violência sexual: ocorre quando a mulher é obrigada a manter relação sexual sem consentimento, impedida de utilizar métodos contraceptivos ou forçada a práticas sexuais contra sua vontade.
Violência patrimonial: é caracterizada pela retenção, subtração ou destruição de documentos, dinheiro, cartões bancários, objetos pessoais, instrumentos de trabalho, bens, valores ou recursos econômicos da mulher.
Violência moral: envolve calúnia, difamação, injúria e outras formas de ofensa à honra da mulher.
Violência vicária: é praticada contra filhos, familiares, dependentes ou pessoas próximas à mulher com a intenção de causar sofrimento, intimidá-la, controlá-la ou atingi-la emocionalmente.
Faixas espalhadas por Teodoro Sampaio (SP) alertam sobre ciclo de violência contra a mulher
Camila Camargo/Reprodução
Como denunciar e pedir ajuda
O governo de SP reforça que, em situações de emergência, a orientação é ligar imediatamente para o 190, da Polícia Militar.
Também é possível registrar boletim de ocorrência em uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou em qualquer delegacia de polícia. O registro pode ser feito ainda pela Delegacia Eletrônica, nos casos previstos pelo serviço.
Além do atendimento policial, mulheres em situação de violência podem buscar orientação e encaminhamento por meio de serviços especializados disponíveis no estado.
Familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas que presenciarem ou tiverem conhecimento de uma situação de violência também podem comunicar o caso às autoridades.
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